{"id":171,"date":"2025-12-23T12:00:00","date_gmt":"2025-12-23T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/?p=171"},"modified":"2026-01-05T17:37:36","modified_gmt":"2026-01-05T20:37:36","slug":"quanto-vale-o-oceano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/index.php\/2025\/12\/23\/quanto-vale-o-oceano\/","title":{"rendered":"Quanto vale o oceano?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Carlos Eduardo Frickmann Young<br>Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o sou eu quem me navega<br>Quem me navega \u00e9 o mar\u201d<br>(Paulinho da Viola, \u201cTimoneiro\u201d)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1. Introdu\u00e7\u00e3o: valor \u00e9 muito mais que pre\u00e7o<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito comum encontrarmos situa\u00e7\u00f5es nas quais bens e servi\u00e7os ambientais, providos gratuitamente pela natureza, s\u00e3o tratados como \u201csem valor\u201d porque n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7os associados a eles. Trata-se de um erro grave, mas in\u00fameras vezes repetido, inclusive na tomada de decis\u00f5es, que acaba menosprezando a import\u00e2ncia dos bens e servi\u00e7os que n\u00e3o s\u00e3o resultantes de um processo antr\u00f3pico de produ\u00e7\u00e3o. Isso inclui as florestas, a atmosfera, a biodiversidade e, claro, o oceano.<\/p>\n\n\n\n<p>Para evitar esse equ\u00edvoco e compreender o valor do oceano, antes de mais nada, \u00e9 preciso diferenciar os conceitos de pre\u00e7o e valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Valor, segundo a teoria econ\u00f4mica, \u00e9 um conceito pessoal, subjetivo e temporal, que reflete a import\u00e2ncia que um indiv\u00edduo atribui a alguma coisa em um determinado momento. Por isso, o valor atribu\u00eddo \u00e0s coisas tem cunho cultural: varia de indiv\u00edduo a indiv\u00edduo, e pode tamb\u00e9m mudar para um mesmo indiv\u00edduo ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o pre\u00e7o de mercado \u00e9 uma medida objetiva e universal (ao menos dentro do contexto de cada mercado) que reflete o quanto o indiv\u00edduo vendedor exige receber de \u201ccomando social\u201d (poder de troca) como compensa\u00e7\u00e3o para passar o direito de propriedade ou uso de um bem para o indiv\u00edduo comprador.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista de quem compra o bem, s\u00f3 faz sentido pagar um montante se o benef\u00edcio (\u201cutilidade\u201d, no linguajar dos economistas) desse bem superar o sacrif\u00edcio de \u201ccomando social\u201d de que o comprador abre m\u00e3o para adquirir o bem em quest\u00e3o. Por isso, pode-se dizer que o pre\u00e7o reflete o valor m\u00ednimo do bem, pois se algu\u00e9m voluntariamente pagou esse pre\u00e7o para adquirir o bem, \u00e9 porque o bem vale (tem import\u00e2ncia) de pelo menos esse valor. Ou seja, o pre\u00e7o estabelece o patamar m\u00ednimo do valor do bem, mas nunca seu valor pleno.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 relevante porque h\u00e1 muitas coisas que n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o, mas t\u00eam valor. A grande maioria dos recursos naturais, inclusive os providos pelo oceano, se enquadra nisso: a qualidade do ar e da \u00e1gua, a beleza c\u00eanica, a estabilidade clim\u00e1tica e mais uma gama de outros servi\u00e7os ecossist\u00eamicos possuem grande import\u00e2ncia (logo, valor), mas n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7os de mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros recursos, como pescado e produtos da extra\u00e7\u00e3o de recursos naturais, podem at\u00e9 receber um pre\u00e7o de mercado. Mas esse pre\u00e7o est\u00e1 longe de refletir plenamente seu valor, pois o mercado \u201cfalha\u201d em captar todos os custos envolvidos em sua produ\u00e7\u00e3o: a pesca de cardumes marinhos, que s\u00e3o produzidos gratuitamente pelos oceanos, envolve ganhos para os pescadores com a sua venda. As receitas dessa venda devem cobrir os custos privados em que o pescador incorreu para pescar (combust\u00edvel, linha, iscas e outros insumos para a pesca), mas n\u00e3o se referem ao custo de \u201cproduzir\u201d o peixe: nesse caso, o pescador est\u00e1 apenas \u201cgarimpando\u201d um recurso que n\u00e3o \u00e9 fruto da produ\u00e7\u00e3o humana e, por isso, o pre\u00e7o de mercado est\u00e1 muito longe de refletir seu verdadeiro valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso tamb\u00e9m aplica para o oceano: n\u00e3o tem pre\u00e7o, mas tem muito valor. Mas como podemos saber quanto ele vale?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2. A valora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do meio ambiente<\/h2>\n\n\n\n<p>A valora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 uma forma de estabelecer m\u00e9tricas para a import\u00e2ncia dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos da biodiversidade e de todo o patrim\u00f4nio natural. O ponto de partida \u00e9 admitir que existem m\u00faltiplas dimens\u00f5es do valor, e que boa parte desses valores n\u00e3o recebe um pre\u00e7o de mercado. Assim, para se compreender a completa import\u00e2ncia de um bem, \u00e9 preciso considerar seu valor econ\u00f4mico total, que os economistas subdividem em categorias: valores de uso, que podem ser diretos, indiretos, de op\u00e7\u00e3o e quase-op\u00e7\u00e3o, e valores de n\u00e3o-uso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel medir todos esses valores conjuntamente. Por essa raz\u00e3o, a Economia do Meio Ambiente disponibiliza t\u00e9cnicas espec\u00edficas para lidar com subconjuntos de valores. Consequentemente, os resultados dos exerc\u00edcios de valora\u00e7\u00e3o devem ser interpretados sempre como subestimativas, mostrando que esses recursos valem, ao menos, um certo patamar m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p>A valora\u00e7\u00e3o ambiental utiliza diversas t\u00e9cnicas para tentar medir a import\u00e2ncia desses servi\u00e7os ecossist\u00eamicos em unidades monet\u00e1rias de modo a torn\u00e1-la compar\u00e1vel \u00e0 dos bens produzidos pela atividade humana. A literatura sobre o tema tem apresentado avan\u00e7os significativos em \u00e1reas continentais, principalmente na avalia\u00e7\u00e3o de impactos de projetos que n\u00e3o costumam ser monetizados, como a polui\u00e7\u00e3o do ar ou da \u00e1gua ocasionadas por projetos de infraestrutura, e a import\u00e2ncia socioecon\u00f4mica de \u00e1reas protegidas. Um exemplo disso \u00e9 a valora\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios econ\u00f4micos das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o.\u00b2<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, ainda estamos longe de obter medidas da import\u00e2ncia econ\u00f4mica de um conjunto grande de elementos providos gratuitamente pela natureza, como a biodiversidade e outros servi\u00e7os ecossist\u00eamicos (poliniza\u00e7\u00e3o, controle de pragas, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>O uso de t\u00e9cnicas de valora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para medir a import\u00e2ncia do oceano \u00e9 ainda muito incipiente e o n\u00famero de estudos bastante inferior aos de \u00e1reas terrestres, apesar do oceano cobrir a maior parte da superf\u00edcie da Terra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">3. Valores de uso direto<\/h2>\n\n\n\n<p>Valores de uso direto ocorrem quando pessoas ou empresas aproveitam-se diretamente de recursos ambientais, seja quando h\u00e1 extra\u00e7\u00e3o, visita\u00e7\u00e3o, ou outra forma de atividade produtiva que efetue uso, usufruto ou consumo direto. Isso significa que valores de uso direto s\u00e3o benef\u00edcios percebidos no presente, mas podem envolver formas n\u00e3o-sustent\u00e1veis de explora\u00e7\u00e3o que comprometem a sustentabilidade futura da atividade por extin\u00e7\u00e3o ou por degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte desses recursos recebe pre\u00e7o de mercado, mas isso est\u00e1 longe de ser o caso geral: o que atribui valor ao recurso \u00e9 ter import\u00e2ncia, e na maioria das vezes, o recurso ambiental n\u00e3o tem pre\u00e7o. Por exemplo, desfrutar da beleza c\u00eanica ou das amenidades de uma praja tem valor, independentemente se o acesso \u00e0 praia \u00e9 gratuito ou se h\u00e1 cobran\u00e7a de entrada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Alimentos e a quest\u00e3o da sustentabilidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Uma das primeiras formas de valor de uso direto dos oceanos estabelecida pelas sociedades humanas foi a busca de alimentos. Diversas civiliza\u00e7\u00f5es floresceram a partir dos recursos extra\u00eddos do mar em todas as partes do planeta. Presente em praticamente todas as culturas estabelecidas no litoral, o consumo de pescado sempre representou um elemento fundamental de seguran\u00e7a alimentar, tanto pela abund\u00e2ncia quanto pela qualidade nutritiva: peixes e outros frutos do mar s\u00e3o importantes fontes de prote\u00ednas, c\u00e1lcio, \u00e1cidos graxos insaturados e vitaminas, al\u00e9m de propiciar f\u00e1cil digest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Brasil, a ocupa\u00e7\u00e3o do litoral se deu desde os tempos iniciais da chegada humana. A evid\u00eancia arqueol\u00f3gica deixada pelos povos dos sambaquis, forma\u00e7\u00f5es constitu\u00eddas por conchas de moluscos acumuladas por longo per\u00edodo de tempo, \u00e9 datada de mais de seis mil anos atr\u00e1s.\u2074<\/p>\n\n\n\n<p>Esses recursos continuaram sendo explorados pelas sucessivas ondas de ocupa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, com destaque para os povos de l\u00edngua tupi que ocupavam grande parte do litoral brasileiro \u00e0 \u00e9poca da chegada dos colonizadores portugueses. N\u00e3o por coincid\u00eancia, uma enorme quantidade de nomes hoje usados para descrever os peixes brasileiros tem origem tupi, como caranha, carapicu, baiacu, beijupir\u00e1, pira\u00fana, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) estimou que em 2018 foram capturados 84,4 milh\u00f5es de toneladas de pescado no oceano, incluindo, al\u00e9m de peixes, crust\u00e1ceos, moluscos e outros animais aqu\u00e1ticos, inclusive mam\u00edferos.\u2075<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 um problema fundamental na extra\u00e7\u00e3o de recursos pesqueiros: n\u00e3o se pode tirar mais do que a natureza \u00e9 capaz de repor. Infelizmente, grande parte da produ\u00e7\u00e3o pesqueira hoje \u00e9 obtida de forma insustent\u00e1vel, extraindo mais do que a capacidade natural de regenera\u00e7\u00e3o. Isso resulta em sucessivas crises de escassez do recurso por causa da sobrepesca. Essas crises podem ocorrer mesmo em esp\u00e9cies de grande abund\u00e2ncia natural, como o bacalhau (Gadus morhua) do Atl\u00e2ntico Norte e a anchoveta peruana (Engraulis ringens).\u2076<\/p>\n\n\n\n<p>No Sudeste e Sul do Brasil, a pesca da sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) entrou em colapso nas \u00faltimas d\u00e9cadas por causa da forma predat\u00f3ria de extra\u00e7\u00e3o do recurso.\u2077<\/p>\n\n\n\n<p>Os riscos s\u00e3o ainda maiores quando as esp\u00e9cies capturadas t\u00eam um ritmo mais lento de reprodu\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o caso dos elasmobr\u00e2nquios, subclasse de peixes cartilag\u00edneos que inclui os tubar\u00f5es e as raias. Esses animais est\u00e3o atualmente sob grande press\u00e3o porque s\u00e3o abatidos a uma taxa bastante superior \u00e0 sua capacidade natural de regenera\u00e7\u00e3o: s\u00e3o ovov\u00edparos, ou seja, seu desenvolvimento embrion\u00e1rio ocorre em ovos que crescem dentro do corpo da m\u00e3e. Por isso, produzem um pequeno n\u00famero de jovens bem desenvolvidos, ao inv\u00e9s de um grande n\u00famero de jovens pouco desenvolvidos como os demais peixes. Logo, sofrem grande amea\u00e7a pelo excesso de pesca, e diversas esp\u00e9cies de tubar\u00f5es e raias encontram-se amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.\u2078<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A sombra da extin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O problema atual da sobrepesca n\u00e3o \u00e9 diferente do que ocorreu no passado com a ca\u00e7a da baleia e outros mam\u00edferos marinhos (especialmente focas), e tamb\u00e9m esp\u00e9cies terrestres. A gan\u00e2ncia e aus\u00eancia de limites e preocupa\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade desencadearam ciclos de preda\u00e7\u00e3o desenfreada que resultaram no r\u00e1pido decl\u00ednio dessas esp\u00e9cies, inclusive com casos de extin\u00e7\u00e3o plena. Esses casos s\u00e3o graves porque representam futuros interrompidos, que n\u00e3o mais poder\u00e3o ocorrer por causa de nossas a\u00e7\u00f5es passadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Vertebrados extintos s\u00e3o mais conhecidos porque s\u00e3o mais estudados: a lista inclui, por exemplo,&nbsp;<em>Prototroctes oxyrhynchus<\/em>, uma esp\u00e9cie de peixe nativa da Nova Zel\u00e2ndia que transitava entre \u00e1gua doce e salgada e que possivelmente sucumbiu por causa da introdu\u00e7\u00e3o de trutas ex\u00f3ticas, com o agravante de s\u00f3 existir hoje outra esp\u00e9cie do mesmo g\u00eanero, nativa da Austr\u00e1lia.&nbsp;<em>Pinguinus impennis<\/em>, por sua vez, era uma esp\u00e9cie de alc\u00eddeo do Atl\u00e2ntico Norte que alcan\u00e7ava milh\u00f5es de indiv\u00edduos, mas que foi ca\u00e7ada \u00e0 extin\u00e7\u00e3o pela procura por ovos e penas, e era \u00fanica em seu g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo ocorreu com mam\u00edferos marinhos ca\u00e7ados por sua carne, gordura ou pele, como&nbsp;<em>Hydrodamalis gigas<\/em>, um siren\u00eddio pr\u00f3ximo ao dugongo que habitava o Oceano \u00cdndico, e&nbsp;<em>Neomonachus tropicalis<\/em>, uma foca tropical do Caribe. Por vezes, a extin\u00e7\u00e3o ocorreu antes mesmo da descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Esse foi o caso de&nbsp;<em>Neogale macrodon<\/em>, uma esp\u00e9cie de mink da Am\u00e9rica do Norte extinta pela busca por peles.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns autores argumentam que h\u00e1 uma tend\u00eancia maior de extin\u00e7\u00e3o de animais de grande tamanho por causas humanas do que de indiv\u00edduos menores.\u2079<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, h\u00e1 menos registros de extin\u00e7\u00f5es por causas antr\u00f3picas de invertebrados marinhos, e as rela\u00e7\u00f5es com causas humanas s\u00e3o menos conhecidas, mas h\u00e1 tamb\u00e9m muito menos estudo sobre grupo, embora tenha um n\u00famero muito maior de esp\u00e9cies. Por exemplo, a extin\u00e7\u00e3o de&nbsp;<em>Lottia alveus<\/em>, uma esp\u00e9cie de caracol marinho do Atl\u00e2ntico Norte Ocidental, est\u00e1 possivelmente associada a causas humanas. Al\u00e9m disso, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que s\u00e3o o resultado de a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica, podem afetar muito mais esp\u00e9cies de menor porte, especialmente invertebrados,\u00b9\u2070 notadamente os corais.\u00b9\u00b9 Podem tamb\u00e9m indiretamente in\u00fameras outras esp\u00e9cies que dependem do ecossistema criado pelos corais para sua sobreviv\u00eancia.\u00b9\u00b2<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente, nosso conhecimento sobre poss\u00edveis extin\u00e7\u00f5es de microrganismos \u00e9 extremamente limitado. Portanto, a dimens\u00e3o da perda que o uso direto de ontem e de hoje deixa para o amanh\u00e3 \u00e9 de dif\u00edcil compreens\u00e3o, especialmente se consideramos os futuros avan\u00e7os cient\u00edficos que ainda est\u00e3o por vir. As se\u00e7\u00f5es seguintes tratam dessas outras formas de valor (uso indireto, op\u00e7\u00e3o e quase-op\u00e7\u00e3o, e de n\u00e3o-uso) cujo pleno dimensionamento s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se estendermos o tempo de an\u00e1lise para muito al\u00e9m do presente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Aquicultura: solu\u00e7\u00e3o e novos problemas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Uma maneira de se evitar a extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies com valor de uso humano \u00e9 por meio da aquicultura, baseada no cultivo de organismos em meio aqu\u00e1tico. Ao inv\u00e9s de simplesmente extrair o recurso, busca-se cri\u00e1-lo de modo semelhante \u00e0 maneira praticada em terra firme. A FAO estima que em 2018 a aquicultura em \u00e1guas marinhas foi respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de 30,8 milh\u00f5es de toneladas de pescado.\u2076<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de sua capacidade de produzir sem exaurir o estoque da esp\u00e9cie, a aquicultura tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 isenta de problemas. A elevada concentra\u00e7\u00e3o de animais nas \u00e1reas de cria\u00e7\u00e3o pode trazer impactos \u00e0s popula\u00e7\u00f5es nativas por poss\u00edvel transmiss\u00e3o de doen\u00e7as e parasitas. Tamb\u00e9m ocorrem problemas de polui\u00e7\u00e3o dos corpos h\u00eddricos onde as cria\u00e7\u00f5es s\u00e3o estabelecidas por causa do excesso de nutrientes ou de mat\u00e9ria fecal devido ao grande n\u00famero e \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de peixes cultivados. Al\u00e9m disso, os equipamentos usados na aquicultura tamb\u00e9m podem causar polui\u00e7\u00e3o, contamina\u00e7\u00e3o ou outros dist\u00farbios. Se as esp\u00e9cies s\u00e3o ex\u00f3ticas \u00e0 \u00e1rea onde s\u00e3o criadas, eventuais fugas e escapes podem resultar em s\u00e9rios problemas \u00e0s esp\u00e9cies nativas, visto que a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas \u00e9 a segunda maior causa de perda de biodiversidade, depois da perda de h\u00e1bitats.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do litoral brasileiro, o crescimento desordenado da cria\u00e7\u00e3o de camar\u00f5es ex\u00f3ticos em cativeiro (carcinicultura) causou muitos impactos aos ecossistemas onde foi implementada, principalmente nas regi\u00f5es Norte e Nordeste.\u00b9\u2074 Vastas \u00e1reas de manguezais foram desmatadas, aumentou a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e surgiram outros contratempos associados \u00e0 instala\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o dos tanques de cria\u00e7\u00e3o e dos canais usados para levar \u00e1gua at\u00e9 eles ou receber seus res\u00edduos. Tamb\u00e9m houve impactos sociais: se por um lado a atividade aumentou a renda e o emprego dos trabalhadores envolvidos, tamb\u00e9m resultou em altera\u00e7\u00e3o ou mesmo deslocamento de comunidades.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Navega\u00e7\u00e3o e Conectividade Global<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Outro valor de uso do oceano para as sociedades humanas desde tempos bastante remotos \u00e9 a mobilidade por meio da navega\u00e7\u00e3o. \u00c9 imposs\u00edvel dissociar a dispers\u00e3o humana pelo planeta sem a ajuda do oceano como meio de liga\u00e7\u00e3o entre todas as partes do planeta. Por essa raz\u00e3o, o pr\u00f3prio conceito de globaliza\u00e7\u00e3o construiu-se a partir do uso do oceano como plataforma de transporte visto que, de fato, ele \u00e9 um s\u00f3 e conecta de forma cont\u00ednua todos os continentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda hoje, embora o transporte internacional de pessoas seja bem menor do que em tempos passados, a navega\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica \u00e9 a principal forma de transporte de cargas entre os continentes. A Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Com\u00e9rcio e o Desenvolvimento (United Nations Conference on Trade and Development \u2013 UNCTAD) estimou que o com\u00e9rcio global transportado pelos mares foi de 10,65 bilh\u00f5es de toneladas, ou cerca de 80% do volume mundial de cargas.\u00b9\u2075<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Turismo e Lazer<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Um valor de uso direto que tem crescido em import\u00e2ncia \u00e9 o turismo e lazer em \u00e1reas oce\u00e2nicas. S\u00e3o m\u00faltiplas as possibilidades providas pelo mar como fonte de atividades recreativas, seja para as popula\u00e7\u00f5es locais quanto para visitantes. O turismo como atividade econ\u00f4mica de r\u00e1pida expans\u00e3o \u00e9 sempre ressaltado por seu papel na gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda. O setor foi fortemente afetado pela pandemia de Covid-19, mas os dados de 2022 apontam para uma recupera\u00e7\u00e3o bastante \u00e1gil.\u00b9\u2076<\/p>\n\n\n\n<p>As modalidades de aproveitamento das \u00e1reas oce\u00e2nicas para lazer e turismo s\u00e3o enormes: banho de mar, pesca, mergulho, esportes aqu\u00e1ticos e n\u00e1uticos, viagens de cruzeiro e de curta dura\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante frisar que muitas dessas atividades s\u00e3o tamb\u00e9m op\u00e7\u00f5es de entretenimento para popula\u00e7\u00f5es locais, inclusive de baixa renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, como em outros tipos de uso, \u00e9 importante evitar formas predat\u00f3rias de visita\u00e7\u00e3o. O turismo pode ser diruptivo tanto com a natureza quanto com as popula\u00e7\u00f5es locais. O aumento da press\u00e3o sobre recursos locais, a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e polui\u00e7\u00e3o, as altera\u00e7\u00f5es em padr\u00f5es sociais, especialmente quando a visita\u00e7\u00e3o se d\u00e1 em locais tradicionalmente isolados ou com elementos culturais distintos dos visitantes, s\u00e3o exemplos de situa\u00e7\u00f5es negativas causadas pelo interesse individual que sobrepuja o interesse coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fica claro, portanto, que, embora sem cobrar um centavo, o oceano prov\u00ea uma enorme quantidade de bens e servi\u00e7os de grande valor de uso para as sociedades humanas. Contudo nem sempre sabemos respeitar os limites para o aproveitamento sustent\u00e1vel desses recursos, e acabamos por desperdi\u00e7ar boa parte do potencial dessa fonte preciosa de bem-estar e gera\u00e7\u00e3o de renda e emprego para as sociedades humanas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">4. Valores de uso indireto<\/h2>\n\n\n\n<p>Valores de uso indireto ocorrem quando o benef\u00edcio humano do recurso \u00e9 derivado das fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas que, indiretamente, influenciam o bem-estar ou a produ\u00e7\u00e3o.\u00b9\u2077 S\u00e3o exemplos os benef\u00edcios que o ambiente presta \u00e0 estabilidade clim\u00e1tica ou a prote\u00e7\u00e3o que manguezais e corais fornecem \u00e0s \u00e1reas costeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos das a\u00e7\u00f5es humanas sobre as fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas podem ser percebidos no curto prazo, mas podem perdurar por muito tempo. Por isso, valores de uso indireto podem ser percebidos no curto prazo, mas seu pleno entendimento s\u00f3 se efetiva no futuro, como no caso j\u00e1 referido de amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o de corais marinhos por causa das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>O conhecimento cient\u00edfico tem avan\u00e7ado crescentemente na identifica\u00e7\u00e3o dos valores de uso indireto prestados pelo oceano. J\u00e1 \u00e9 antiga a compreens\u00e3o da sua import\u00e2ncia para regula\u00e7\u00e3o de microclimas e ameniza\u00e7\u00e3o de temperaturas extremas. A maritimidade \u00e9 a capacidade do oceano de conservar calor por um per\u00edodo maior que as \u00e1reas continentais, e isso influencia o clima das regi\u00f5es costeiras, que t\u00eam uma varia\u00e7\u00e3o de temperatura menor do que nas \u00e1reas continentais adjacentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse efeito \u00e9 ainda mais acentuado pelas correntes marinhas. Elas circulam as \u00e1guas do oceano, e com isso, contribuem para a regula\u00e7\u00e3o do clima e distribui\u00e7\u00e3o do calor pelo planeta. Isso tem efeito extraordinariamente significativo para a vida tanto no mar quanto na terra. A compreens\u00e3o da relev\u00e2ncia desse efeito regulat\u00f3rio fica n\u00edtida quando h\u00e1 uma irregularidade ou altera\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es normais das correntes. O exemplo mais claro se d\u00e1 quando ocorre altera\u00e7\u00e3o da temperatura nas \u00e1guas do Pac\u00edfico Sul, pr\u00f3ximas ao continente americano, seja por estar mais quente ou mais frio do que o normal. O primeiro caso \u00e9 conhecido como o fen\u00f4meno \u201cEl Ni\u00f1o\u201d e o segundo como \u201cLa Ni\u00f1a\u201d, e ambos podem trazer efeitos catastr\u00f3ficos na Am\u00e9rica do Sul e todo o Pac\u00edfico Equatorial, como secas extremas ou inunda\u00e7\u00f5es e enchentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O papel do oceano como o grande regulador clim\u00e1tico do planeta \u00e9 ainda maior por causa da import\u00e2ncia das algas marinhas para a absor\u00e7\u00e3o de carbono por meio da fotoss\u00edntese. Esse processo \u00e9 crucial para a vida no planeta porque torna o oceano o maior absorvedor de di\u00f3xido de carbono (\u201ccarbon sink\u201d) sendo, portanto, fundamental para a estabilidade clim\u00e1tica global.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse mesmo processo garante a reciclagem de mais da metade do oxig\u00eanio na atmosfera da Terra. Por isso, o oceano \u00e9 o seu verdadeiro pulm\u00e3o. As florestas terrestres tamb\u00e9m s\u00e3o grandes produtoras de oxig\u00eanio por fotoss\u00edntese, mas, por outro lado, consomem igualmente grande quantidade de oxig\u00eanio pelo processo de respira\u00e7\u00e3o. Por isso, sua contribui\u00e7\u00e3o l\u00edquida para a reposi\u00e7\u00e3o do oxig\u00eanio na atmosfera \u00e9 muito menor do que a das algas marinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de regular o clima e disponibilizar oxig\u00eanio na atmosfera, outro valor de uso indireto do oceano \u00e9 como base da cadeia alimentar. A vida surgiu da \u00e1gua, e as cadeias tr\u00f3ficas oce\u00e2nicas, envolvendo in\u00fameros organismos consumidores e decompositores, s\u00e3o fundamentais para ecossistemas marinhos e terrestres.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica tamb\u00e9m coloca em risco esses valores de uso indireto, apesar de sua enorme import\u00e2ncia. A emiss\u00e3o de poluentes e res\u00edduos s\u00f3lidos, inclusive micropl\u00e1sticos, degrada e amea\u00e7a a biodiversidade marinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma escala mais ampla, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tamb\u00e9m representam grandes riscos pois trazem, entre outras amea\u00e7as, eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, acidifica\u00e7\u00e3o do oceano (com efeitos ainda por descobrir sobre impactos em correntes marinhas, biodiversidade e uma s\u00e9rie de outras fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas), e eventos extremos que podem ter enormes consequ\u00eancias socioecon\u00f4micas negativas para as comunidades humanas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">5. Valores de op\u00e7\u00e3o e quase-op\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Valores de op\u00e7\u00e3o referem-se a poss\u00edveis valores de uso direto e indireto hoje n\u00e3o plenamente aproveitados, mas que somente ter\u00e3o op\u00e7\u00e3o de uso no futuro se preservados no presente.\u00b9\u2078 Ou seja, trata-se do valor futuro do oceano se o aproveitarmos de forma racional, garantindo que nosso uso de hoje n\u00e3o prejudicar\u00e1 o uso de amanh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>O oceano pode ser fonte sustent\u00e1vel de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, tanto pela pesca manejada quanto pela aquicultura. Para isso \u00e9 fundamental a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis de produ\u00e7\u00e3o. Igualmente existe um espa\u00e7o importante para atividades de visita\u00e7\u00e3o, lazer, esporte e recrea\u00e7\u00e3o. Mas a expans\u00e3o do turismo e entretenimento n\u00e3o pode resultar em degrada\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os naturais ou ruptura social das comunidades estabelecidas nas \u00e1reas que recebem os visitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Um campo onde h\u00e1 grande potencial de expans\u00e3o refere-se ao aproveitamento de fontes energ\u00e9ticas renov\u00e1veis em \u00e1reas oce\u00e2nicas. J\u00e1 se produz hoje energia e\u00f3lica em plataformas instaladas no mar, mas ainda abaixo do potencial. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um grande esfor\u00e7o tecnol\u00f3gico para aproveitamento da energia de movimenta\u00e7\u00e3o do mar, seja por correntes, mar\u00e9s ou ondas. Projetos em escala-piloto est\u00e3o sendo implementados, mas espera-se que opera\u00e7\u00f5es em larga escala se tornem frequentes em um futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Valores de quase-op\u00e7\u00e3o diferenciam-se de valores de op\u00e7\u00e3o porque tratam de possibilidades de valores futuros de uso mas com conhecimento que ainda n\u00e3o temos. Isto \u00e9, referem-se aos usos que poderemos fazer dos recursos ligados aos oceanos com avan\u00e7os cient\u00edficos e progresso t\u00e9cnico que ainda est\u00e3o por serem descobertos.<\/p>\n\n\n\n<p>As possibilidades s\u00e3o muito promissoras quando se considera as novidades mais recentes da ci\u00eancia e as expectativas do que ainda est\u00e1 por surgir. Conhecemos ainda muito pouco sobre o oceano, especialmente em \u00e1guas profundas ou ambientes extremos, como vulc\u00f5es submarinos. As frequentes descobertas de novas esp\u00e9cies mostram como ainda ignoramos a riqueza da biodiversidade marinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda mais fascinante \u00e9 a poss\u00edvel contribui\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre o oceano para a compreens\u00e3o de vida extraterrestre. A vida na Terra surgiu no oceano e as possibilidades de que haja vida alien\u00edgena s\u00e3o muito maiores em ambientes l\u00edquidos:\u00b9\u2079 h\u00e1 grande expectativa em fun\u00e7\u00e3o da descoberta de oceanos em Europa (lua de J\u00fapiter com um oceano debaixo da superf\u00edcie coberta de gelo), Titan (lua de Saturno com mares e rios de metano e outros hidrocarbonetos em est\u00e1gio l\u00edquido) e Enceladus (outra lua de Saturno, onde se acredita existir um oceano de \u00e1gua salgada).<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, as potenciais extin\u00e7\u00f5es causadas por a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica, seja por sobre-uso, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou outras perturba\u00e7\u00f5es ao meio, podem resultar em danos imensos no futuro: estamos destruindo recursos naturais muito antes de compreender seu potencial de uso e, muitas vezes, sem nem mesmo classificar cientificamente as esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso mostra o imenso valor da pesquisa sobre a vida oce\u00e2nica em sua enorme diversidade, especialmente em ambiente n\u00e3o usuais (\u00e1reas sob gelo, de atividade vulc\u00e2nica, etc.). \u00c9, simultaneamente, uma busca por compreender o passado da origem da vida na Terra, e tamb\u00e9m uma porta para o futuro da vida extraterrestre.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">6. Valores de n\u00e3o uso ligados aos oceanos<\/h2>\n\n\n\n<p>Valores de n\u00e3o-uso s\u00e3o mais dif\u00edceis de conceituar porque representam o valor atribu\u00eddo \u00e0 exist\u00eancia do meio ambiente, ou de seu legado para futuras gera\u00e7\u00f5es, independentemente do seu uso atual ou futuro. Ou seja, refere-se ao valor intr\u00ednseco que as pessoas atribuem a certos recursos ambientais, como paisagens e seres vivos, sem que haja a expectativa de alguma forma de uso ou mesmo aprecia\u00e7\u00e3o.\u00b2\u2070 Os valores de n\u00e3o-uso combinam a import\u00e2ncia do passado (relev\u00e2ncia hist\u00f3rica, cultural, religiosa ou mesmo sentimental) com o que queremos deixar de legado para o futuro, mesmo que n\u00e3o se espere benef\u00edcios diretos ou indiretos de nossa a\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de \u201cvalor de exist\u00eancia\u201d ou \u201clegado\u201d \u00e9 de dif\u00edcil mensura\u00e7\u00e3o, mas essencial para explicar as escolhas das sociedades humanas. Isso inclui, al\u00e9m da import\u00e2ncia cient\u00edfica da biodiversidade marinha, outros fatores que n\u00e3o podem ser justificados por interesses objetivos, diretos ou indiretos, mas que povoam nossas tradi\u00e7\u00f5es, culturas e religiosidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O oceano \u00e9 repleto de valores de exist\u00eancia e de legado dado seu evidente significado para as civiliza\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>O mar \u00e9 carregado de significado cultural, que extrapola a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica por atividades produtivas e recreativas. O oceano \u00e9 origem e \u00e9 legado, em particular para sociedades, como a brasileira, que foram fortemente influenciadas pelas navega\u00e7\u00f5es e pelo extenso litoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo disso \u00e9 o relevante valor simb\u00f3lico que as praias t\u00eam no Rio de Janeiro, na Bahia e em outros estados litor\u00e2neos. Al\u00e9m dos valores de uso direto pela recrea\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o local e pelo impacto comercial dos turistas, as praias trazem valores intr\u00ednsecos de defini\u00e7\u00e3o cultural e do estilo de vida das pessoas, e isso se reflete nas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas (desde can\u00e7\u00f5es e romances sobre o mar at\u00e9 as pinturas de barcos e paisagens costeiras), nas rela\u00e7\u00f5es sociais (a praia como espa\u00e7o coletivo de conv\u00edvio) e em outros elementos do cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor de exist\u00eancia do oceano \u00e9 ainda mais facilmente identificado por sua import\u00e2ncia nas mais diversas formas de religiosidade. De Poseidon a Iemanj\u00e1, passando pelos mitos de sereias e monstros marinhos, o culto a entidades divinas ligadas ao mar foi e \u00e9 observado por todo o planeta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">7. Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A vida na Terra s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por causa da presen\u00e7a magn\u00edfica do oceano. Ele influencia todas as dimens\u00f5es de nossa vida, inclusive a econ\u00f4mica e a cultural. Os exemplos descritos neste cap\u00edtulo buscam evidenciar que uma parte enorme da atividade produtiva e da qualidade de vida humana \u00e9 fruto da presen\u00e7a do oceano. Ainda maior \u00e9 a riqueza do que desconhecemos. Contudo, persistem a\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias sobre o oceano e seus espa\u00e7os naturais, que geram um pouco de benef\u00edcio privado \u00e0s custas de um preju\u00edzo muito maior, difuso por toda a sociedade planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o oceano vale muito mais do que os benef\u00edcios monet\u00e1rios alcan\u00e7ados por aqueles que atuam na sua degrada\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m \u00e9 importante dizer que nem todos os valores do oceano s\u00e3o pass\u00edveis de mensura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O oceano \u00e9 o ontem, o hoje e o amanh\u00e3 da vida na Terra. Foi sua origem, e a vida como atualmente a conhecemos s\u00f3 persiste por causa dos mares e das fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas que prestam. S\u00f3 poder\u00e1 haver um futuro para n\u00f3s, depois de exaurirmos as possibilidades de vida em nosso planeta, mediante alguma hipot\u00e9tica migra\u00e7\u00e3o interplanet\u00e1ria para outro corpo c\u00f3smico onde encontremos corpos l\u00edquidos similares ao oceano.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que chamamos a Terra de \u201cPlaneta Azul\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h2>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-a430b6efc7336e4f347a39d6409278d9\">\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-cbf661e7f9ef9adda3c0e836b3191f7c\">Young, C. E. F.; Fausto, J. R. B. 1997. Valora\u00e7\u00e3o de recursos naturais como instrumento de an\u00e1lise da expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola na Amaz\u00f4nia. Rio de Janeiro: IPEA. Texto para Discuss\u00e3o (TD) 490. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"http:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/handle\/11058\/2168\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/handle\/11058\/2168<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-860bebb688e9167160347cf7c797ec68\">Young, C. E. F.; Medeiros, R. (Org.). 2018. Quanto vale o verde: a import\u00e2ncia econ\u00f4mica das unidades de conserva\u00e7\u00e3o brasileiras. Rio de Janeiro: Conserva\u00e7\u00e3o Internacional, 2018. v. 1. 179p. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.conservation.org\/docs\/default-source\/brasil\/quanto-vale-o-verde.pdf?sfvrsn=56daaab1_5\/%2520Quanto-vale-o-verde%2520.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.conservation.org\/docs\/default-source\/brasil\/quanto-vale-o-verde.pdf?sfvrsn=56daaab1_5\/%20Quanto-vale-o-verde%20.pdf<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-0d44b3ac0862a81ff7b135636ba2ef9b\">Seroa da Motta, R. 1998. Manual para valora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de recursos ambientais. Bras\u00edlia: IPEA\/MMA\/PNUD\/CNPq. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.terrabrasilis.org.br\/ecotecadigital\/pdf\/manual-para-valoracao-economica-de-recursos-ambientais.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.terrabrasilis.org.br\/ecotecadigital\/pdf\/manual-para-valoracao-economica-de-recursos-ambientais.pdf<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-69a1309c30cdb71d00fe20f1b43d6f57\">Villagran, X. S. 2013. O que sabemos dos grupos construtores de sambaquis? Breve revis\u00e3o da arqueologia da costa sudeste do Brasil, dos primeiros sambaquis at\u00e9 a chegada da cer\u00e2mica J\u00ea. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, (23), 139-154. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/revmae\/article\/view\/107182\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.revistas.usp.br\/revmae\/article\/view\/107182<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-9dded5768be7efbf3691a99bd4dcd856\">FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations). 2020. The State of World Fisheries and Aquaculture 2020: Sustainability in Action. Roma: FAO. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.4060\/ca9229en\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/doi.org\/10.4060\/ca9229en<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-d1821bf43bad2d4c68dd22da71cfae6a\">FAO (2020)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-058599a7622a1f63262d51a585b55d2a\">Camara, B. 2021. Em defesa da sardinha. Rio de janeiro: FUNBIO. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.funbio.org.br\/em-defesa-da-sardinha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.funbio.org.br\/em-defesa-da-sardinha\/<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-c0b4356a3f1c91041301b38e5052aa2f\">Rincon, G.; Mazzoleni, R. C.; Palmeira, A. R. O.; Lessa, R. 2017. Deep-water sharks, rays, and chimaeras of Brazil. In: Rodrigues-Filho, L. F.; Sales, J. B. D. L. (Eds) Chondrichthyes: Multidisciplinary Approach. London: IntechOpen. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.intechopen.com\/chapters\/55984\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.intechopen.com\/chapters\/55984<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-4bb70ec1f504923f9af67447ebb86a06\">Smith, F. A.; Elliott Smith, R. E.; Lyons, S. K.; Payne, J. L. 2018. Body size downgrading of mammals over the late Quaternary. Science. 2018 Apr 20;360(6386):310-313. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aao5987\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aao5987<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-480b86f2c1f9d016555fadbab63c5161\">Deutsch, C.; Penn, J. L.; Verberk, W. C. E. P.; Inomura, K.; Endress, M. G.; Payne, J. L. 2022. Impact of warming on aquatic body sizes explained by metabolic scaling from microbes to macrofauna. Proc Natl Acad Sci U S A. 2022 Jul 12;119(28):e2201345119. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.2201345119\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.2201345119<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-af171aa42701bb561f07f4a37007d770\">Carpenter, K. E. et al. 2008. One-third of reef-building corals face elevated extinction risk from climate change and local impacts. Science, 321(5888):560\u2013563. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/full\/10.1126\/science.1159196\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.science.org\/doi\/full\/10.1126\/science.1159196<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-202721ff6ae167cf6fc865a311d98e37\">Graham, N. A. J. et al. 2011. Extinction vulnerability of coral reef fishes. Ecology letters, 14(4):341\u2013348. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/j.1461-0248.2011.01592.x\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/j.1461-0248.2011.01592.x<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-d1821bf43bad2d4c68dd22da71cfae6a\">FAO (2020)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e71f94a1ee5a5c24641ef10bc0c0309\">Hatje, V.; Barros, F.; Ribeiro, L. F.; de Souza, M. M. 2014. Desafios da carcinicultura: aspectos legais, impactos ambientais e alternativas mitigadoras. Revista de Gest\u00e3o Costeira Integrada-Journal of Integrated Coastal Zone Management, 14(3), 365-383. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redalyc.org\/pdf\/3883\/388340108002.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.redalyc.org\/pdf\/3883\/388340108002.pdf<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-531c99cf59cafcd62eb18344e6091474\">UNCTAD (United Nations Conference on Trade and Development). 2021. Review of Maritime Transport 2021. United Nations: UNCTAD. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/unctad.org\/webflyer\/review-maritime-transport-2021\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/unctad.org\/webflyer\/review-maritime-transport-2021<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-a35d75b5cd9b8bbc28eaf5815448dae7\">UNWTO (World Tourism Organization). 2022. World Tourism Barometer: March 2022. United Nations: UNWTO. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.e-unwto.org\/doi\/abs\/10.18111\/wtobarometereng.2022.20.1.2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.e-unwto.org\/doi\/abs\/10.18111\/wtobarometereng.2022.20.1.2<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-00e30c39aa90ba9bc2293789dcdd2f31\">Seroa da Motta (1998)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-00e30c39aa90ba9bc2293789dcdd2f31\">Seroa da Motta (1998)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-4d11e063df04d1f5c71f9c5fd0696212\">Patel, N. V. 2021. The best places to find extraterrestrial life in our solar system, ranked If there\u2019s alien life nearby, where are we most likely to find it? MIT Technology Review 16 Jun 2021. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.technologyreview.com\/2021\/06\/16\/1026473\/best-worlds-extraterrestrial-life-solar-system-ranked\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.technologyreview.com\/2021\/06\/16\/1026473\/best-worlds-extraterrestrial-life-solar-system-ranked\/<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-00e30c39aa90ba9bc2293789dcdd2f31\">Seroa da Motta (1998)<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Eduardo Frickmann Young, Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":432,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[18,15,16,14],"class_list":["post-171","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ecoar-vento","tag-ecoturismo","tag-mudancas-climaticas","tag-pesca-sustentavel","tag-sustentabilidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=171"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":465,"href":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171\/revisions\/465"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/432"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogecoar.institutoserbrasil.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}